O Hospital Estadual Roberto Arnizaut Silvares (HRAS), em São Mateus, alcançou uma marca importante neste domingo (3). A equipe fez a oitava captação múltipla de órgãos do ano, retirando coração, fígado, dois rins e duas córneas de um único doador. Esses órgãos foram destinados a pacientes que aguardavam transplante no Espírito Santo.
Para que o coração e o fígado chegassem rápido ao Hospital Meridional, em Cariacica, uma aeronave do Núcleo de Operações e Transportes Aéreo (Notaer) foi acionada. O diretor-geral do HRAS, André Fagundes, explica que esses dois órgãos precisam ser transplantados em no máximo quatro horas após a retirada, o que exige ação rápida de toda a equipe.
Neste ano, o hospital já captou 63 órgãos: 7 fígados, 16 rins, 36 córneas e 4 corações. O número impressiona porque, já em abril, o HRAS igualou a quantidade de doações realizadas em todo o ano de 2024.
Segundo Karla Santana Fernandes, referência técnica da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), o processo segue um protocolo rígido. “Primeiro, confirmamos a morte encefálica. Depois, fazemos a entrevista com a família. Só com o ‘sim’ é que podemos seguir. Todos os exames e critérios são cumpridos para garantir segurança e respeito”, explica.
No domingo da última captação, quatro casos de morte encefálica foram registrados, mas três famílias não autorizaram a doação. “Quando a família autoriza, verificamos se há receptores compatíveis no Espírito Santo. Se não houver, consultamos a lista nacional. Desta vez, todos os órgãos ficaram no Estado”, disse Karla.
Fila de espera é grande no Espírito Santo
De acordo com o Ministério da Saúde, 2.666 pessoas aguardam um transplante no Espírito Santo. A maior demanda é por córneas (1.508 pessoas) e rins (1.105). Também há pacientes esperando fígado (46) e coração (7).
Para André Fagundes, falar sobre doação é essencial para salvar vidas. “É um ato de amor no momento mais difícil. Ninguém antecipa morte para doar órgãos. Enquanto houver chance de vida, a equipe luta até o fim. Só quando não há mais volta é que iniciamos o processo de doação”, reforça.
Karla completa: “Quando a sociedade entende a importância, a fila anda. Cada doação pode transformar várias vidas.”






























































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