O luto da família de Lorran Marques da Conceição, de apenas 19 anos, virou um grito de denúncia. O jovem morreu na explosão da fábrica Termoquímica, em Paulista, distrito de São Mateus (ES), na manhã da última quarta-feira (21). Agora, a irmã dele, Lorraine Marques, escancara o que chamou de negligência, irresponsabilidade e desumanidade da empresa.
Em um depoimento forte e emocionado publicado nas redes sociais, Lorraine relata que apenas as partes do corpo “necessárias para o exame de DNA” foram recolhidas pela perícia. O restante foi deixado no chão da fábrica. “Trataram o meu irmão como se ele não fosse ninguém”, escreveu.
Mas o que mais revoltou a família foi a tentativa da empresa de atribuir a tragédia a uma “falha humana”. Para Lorraine, isso é mais uma forma cruel de fugir da responsabilidade. “Eles chamam de falha humana o que foi falta total de preparo. Não deram curso adequado. Não tinha especialista, não tinha suporte, não tinha acompanhamento técnico”, denunciou.
Ela afirma que os jovens estavam sozinhos, lidando com produtos químicos altamente perigosos, sem qualquer orientação. Lorran havia acabado de completar 19 anos. Kauã, outro trabalhador atingido, também tem apenas 19.
A empresa, segundo Lorraine, ofereceu apenas um curso de 48 horas de primeiros socorros e considerou isso suficiente caso “acontecesse alguma coisa”. E aconteceu — o pior.
“Meu irmão morreu. Mas enquanto eu estiver aqui, ele vai ser defendido. Porque não foi culpa dele”, escreveu Lorraine. “Foi negligência. Foi irresponsabilidade. Foi desumano. Ele merecia estar vivo.”
No fim do desabafo, Lorraine reforça: eles não receberam segurança. Não receberam respeito. E agora, além da dor, a família exige justiça.






























































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