Muniz Freire está cansada de ser tratada como massa de manobra. Em mais um episódio vergonhoso da novela sindical, o advogado do Sindicato dos Servidores resolveu abandonar qualquer aparência de neutralidade e desferir um golpe direto na inteligência e na autonomia dos trabalhadores públicos. Em postagem nas redes sociais nesta quinta-feira (22), o advogado convoca os servidores para uma assembleia com uma mensagem que mais parece ameaça velada do que convite democrático.
Com tom autoritário e chantagista, ele avisa: “o que for decidido hoje vale para todos, presentes ou não.” Ou seja, ele assume sem pudor que o sindicato – que deveria representar toda a categoria – está disposto a ignorar a vontade da maioria silenciosa e empurrar goela abaixo um acordo possivelmente já costurado nos bastidores com o prefeito municipal.
A pergunta que não quer calar: que tipo de representação sindical é essa que joga os servidores contra a parede e os trata como culpados por simplesmente criticarem ou desconfiarem do processo?
Quem acompanha o histórico recente sabe bem: o sindicato virou uma extensão do gabinete do prefeito. A entidade que deveria lutar pelos direitos da categoria se tornou um balcão de negócios onde o interesse dos servidores é moeda de troca por favores políticos.
A postagem é um deboche. Fala em “momento de escolher” enquanto o conteúdo da proposta sequer foi devidamente divulgado, discutido ou debatido com transparência. Que escolha é essa feita às pressas, em plena quinta-feira à noite, sem amplo debate e com um aviso que mais parece um ultimato?
E ainda ousa dizer: “Não fique só criticando, venha conhecer o processo.” Pois é exatamente isso que os servidores estão tentando fazer: entender como um sindicato que deveria ser a trincheira da luta virou um escudo para proteger um prefeito acuado, ausente e completamente alheio à realidade dos trabalhadores da educação, da saúde, da limpeza e de tantos outros setores massacrados pela desvalorização.
A verdade é dura, mas precisa ser dita: o sindicato perdeu a vergonha. E seu advogado parece cada vez mais confortável em defender o sistema, não a categoria.
Chegou a hora dos servidores acordarem. O silêncio é a senha da traição. Quem se cala diante desse jogo sujo legitima o teatro da assembleia e permite que meia dúzia decida o destino de centenas.
Servidores, levantem a voz! Não deixem que sua dignidade seja rifada por quem deveria lutar por ela.





























































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