Muniz Freire (ES) vive um de seus momentos mais constrangedoramente patéticos na política local: o prefeito Dito (PSB), em meio a feições visivelmente abatidas — entre o cansaço, a preocupação e o desespero mal disfarçado —, decidiu gravar um vídeo para comemorar… o pagamento dos salários em dia.
Sim, caro leitor, você não leu errado. Em vez de apresentar soluções para os buracos nas ruas, melhorias nas escolas sucateadas, atendimento digno nas unidades de saúde ou a prometida valorização da cultura local, o prefeito resolveu festejar como grande feito aquilo que não passa da mais básica obrigação de qualquer gestor público: pagar o servidor em dia.
A cena beira o tragicômico. Uma alegria artificial, quase ensaiada, tentando esconder o colapso administrativo em que mergulhou a cidade. Lembra até aquele aluno que tira nota 5 e ainda exige parabéns dos pais — esquecendo que 5 é o mínimo para não repetir de ano.
“Ele parece estar vivendo em um universo paralelo. A cidade está abandonada, mas ele aparece rindo por pagar o que é obrigação? Isso é um deboche”, desabafou uma moradora da Rua Nova, com 74 anos de vida em Muniz Freire e zero paciência para populismo barato.
Enquanto isso, a população segue enfrentando a falta de medicamentos, escolas abandonadas, obras paradas e uma cidade entregue à própria sorte. Mas, para a atual gestão, o critério de excelência virou o seguinte: “não fiz nada, mas paguei o salário que já era devido — olha como sou bom!”
“Nunca vi um governo tão perdido. As estradas estão intrafegáveis, o posto de saúde vive sem médico, mas ele acha que merece aplauso por pagar salário? É como o dono de um restaurante comemorar por lavar os pratos”, ironizou um servidor municipal que preferiu não se identificar, temendo represálias.
Não, prefeito Dito (PSB), a cidade não precisa de vídeos emotivos com discursos ensaiados para celebrar o cumprimento da folha. Isso é rotina, não espetáculo. Favor, aliás, seria o senhor realmente trabalhar pela cidade com seriedade, diálogo e competência.
“A população quer resultado, não performance de redes sociais”, afirmou um líder comunitário do distrito de São Pedro, apontando o contraste entre as redes oficiais da prefeitura e a realidade das ruas.
E assim segue o espetáculo: o prefeito Dito (PSB) grava vídeo, sorri de nervoso, finge tranquilidade, e entrega à população a grande obra de seu governo — o cumprimento da folha de pagamento, com pompa e circunstância.
Por ora, a cidade observa com espanto: enquanto a administração afunda, a prioridade do gestor é produzir conteúdo para redes sociais, com efeitos de emoção que nem a melhor novela mexicana conseguiria entregar.
Fica o convite: quando tiver algo extraordinário para mostrar — como saúde funcionando, educação avançando, infraestrutura evoluindo — aí sim vale gravar vídeo. Até lá, melhor poupar o teatro e encarar a realidade que o povo de Muniz Freire vive no dia a dia.
Aliás, já estamos ansiosos pelos próximos episódios: quem sabe um vídeo emocionado para anunciar que acendeu a luz da prefeitura? Ou uma live comemorando que o telefone funcionou na segunda tentativa? O céu é o limite para quem transformou o “mínimo” em “milagre”.
Enquanto isso, Muniz Freire aguarda, não mais com esperança, mas com ironia — e uma boa dose de vergonha alheia.





























































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