Muniz Freire (ES) — Indignada com o colapso administrativo e a completa ausência de governo, uma comitiva formada por professores, profissionais da saúde, servidores efetivos, representantes da agricultura e de diversos setores organizados da sociedade civil bateu, literalmente, à porta da casa do vice-prefeito Dr. Wanokzor (MDB) nesta quinta-feira (24). A mensagem foi direta: o povo exige resposta, ação e comando.
O que era insatisfação virou revolta. O que era murmúrio virou grito. A paciência ficou em casa. A pauta, unânime: o povo quer governo, quer comando, quer resposta.
O motivo do clamor? Um vácuo de poder sem precedentes. O prefeito Dito (PSB) simplesmente sumiu. Não fala à população, não presta contas, não governa. Enquanto isso, escolas sucateadas, máquinas de estradas e ambulâncias estão paradas, pacientes esperam atendimento, e secretarias funcionam na base da improvisação. Muniz Freire está entregue à própria sorte.
Sob o comando de Dito (PSB), o município mergulhou num verdadeiro colapso administrativo. Seu governo já pode ser considerado, sem exagero, um dos mais desastrosos da história local. Nada funciona. Nenhuma área escapa da paralisia, do descaso e da incompetência. O que se vê é um rastro de abandono, promessas não cumpridas e uma população sendo arrastada ao fundo do poço.
A saúde pública está em colapso. Postos sem médicos, falta de medicamentos, filas intermináveis, exames ausentes — e uma gestão que finge não ver. O direito à saúde virou um privilégio para poucos.
Obras? Inexistem. Nenhuma frente de trabalho, nenhum investimento visível, nenhum projeto com impacto social. É como se o governo tivesse jogado a toalha. Sequer óleo diesel há.
A limpeza pública virou lenda urbana. Ruas sujas, lixo acumulado, terrenos tomados pelo mato. A imagem do abandono se escancara em cada esquina. A cidade fede.
Na educação, a realidade é ainda mais desoladora: estrutura precária, transporte escolar falho, merenda de péssima qualidade, professores desmotivados, alunos desamparados. Uma geração inteira sendo sacrificada pela negligência de quem deveria cuidar do futuro.
O meio ambiente foi simplesmente riscado da agenda municipal: rios poluídos, áreas verdes abandonadas, queimadas, desmatamento e nenhuma fiscalização.
Turismo? Nunca existiu. Mesmo com potencial natural e histórico, Muniz Freire não tem sequer um plano mínimo para incentivar o setor. Estruturas deterioradas, eventos abandonados e zero ação para atrair visitantes ou fomentar a economia local.
E o esporte? Morreu antes de nascer. Promessas em palanque, projetos que nunca saíram do papel. Nenhum investimento em quadras, nenhum incentivo a atletas, nenhuma atividade para a juventude. O resultado? Ócio, abandono e frustração.
O governo Dito (PSB) é um fracasso absoluto. Sem rumo, sem pulso, sem projeto. Um poder público ausente, frio, tecnicamente falido e moralmente esgotado. Um governo que desonra o voto que recebeu e trai a confiança do povo com a mesma naturalidade com que abandona uma estrada ou ignora uma mãe que implora por atendimento médico para o filho.
Diante desse cenário de ruínas, a sociedade organizada resolveu agir. A comitiva exigiu que o vice-prefeito assuma as rédeas do município. “A cidade está largada. O povo não aguenta mais esse silêncio criminoso. Se o prefeito não governa, que o vice o faça!”, declarou um servidor com 25 anos de carreira.
“Isso aqui não é república de bananas! Ou se governa ou se entrega o cargo!”, bradou um servidor veterano. A cena foi simbólica e explosiva. Cansada de esperar por providências institucionais, a população resolveu cobrar publicamente o vice-prefeito, Dr. Wanokzor (MDB).
O vice ouviu o clamor popular e reconheceu a gravidade da situação, mas foi enfático: “Como vice-prefeito, tenho limitações constitucionais. Não posso ultrapassar a linha da legalidade. Mas não me omitirei diante do colapso. Se a Câmara cumprir seu papel, estarei pronto para assumir e restabelecer a ordem.”
A fala do vice traz à tona um ponto óbvio e fundamental: cabe à Câmara Municipal, como representante do povo e fiscal do Executivo, instaurar processo político-administrativo para apurar o abandono da função por parte do prefeito Dito (PSB). É ela quem pode decretar vacância, afastamento ou cassação. Também é dever do Legislativo julgar as contas e os atos de um gestor ausente e omisso.
“A Câmara está diante de sua hora mais decisiva. Se continuar omissa, será cúmplice desse abandono. O povo está assistindo — e não esquecerá quem se calou quando mais se precisava de coragem”, afirmou um representante da classe agrícola.
A frase foi recebida com aplausos e tensão. A pressão agora muda de foco: os vereadores estão no centro da crise. Se há omissão do prefeito, o Legislativo tem a obrigação legal e moral de agir.
O povo exige. O vice está pronto. Mas e os vereadores — vão se esconder também?
A bomba agora está no colo do Legislativo. O momento exige coragem, não conivência. A omissão da Câmara pode se tornar o segundo capítulo dessa tragédia política — ou o início da reconstrução institucional de uma cidade à beira do colapso.
A crise política em Muniz Freire ganhou contornos dramáticos. Mas o clamor das ruas grita mais alto. E exige ação.
O que está em jogo não é apenas a governabilidade. É a dignidade de um povo que cansou de ser invisível.
Veremos, em breve, quem são os vereadores que caminham ao lado do povo — e quem prefere seguir de cabeça baixa pelos corredores do poder, rezando para não desagradar o “clã intestinal”. Porque, em tempos de autoritarismo emocional, até o silêncio tem cheiro. E o povo já aprendeu a identificar efetivamente quem está do lado certo… e quem só está do lado de lá.





























































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