Muniz Freire vive uma paralisia institucional. O serviço público, já debilitado, entra em colapso: greve não velada de servidores, caos na educação, saúde desassistida e um cenário administrativo de completo abandono. O que se esperava, então, da classe política? Postura, reação, voz. Mas o que se teve? Silêncio. E mais um adiamento.
A Reunião Geral, marcada para hoje, 6 de maio, justamente para tratar da paralisação, foi novamente adiada. A justificativa? Os “feriados” — uma desculpa cínica, embalada em formalismo, para não encarar a realidade de frente. O que se viu, mais uma vez, foi a fuga disfarçada de protocolo.
E não é a primeira vez. Já virou padrão: quando a pressão aumenta, adia-se a reunião, esvazia-se a pauta, silencia-se a mobilização. Não estamos mais diante de tropeços administrativos — estamos diante de uma operação calculada de omissão.
O que impressiona é a covardia institucionalizada. Enquanto os servidores cruzam os braços por dignidade, quem deveria empunhar a bandeira da defesa pública prefere cruzar os braços por conveniência política. Não se trata de neutralidade — trata-se de escolha. E toda escolha tem lado.
Adiar, nesse contexto, é um gesto político. É dizer ao povo que sua dor pode esperar. É o próprio sindicato comunicar aos sindicalizados que suas pautas não são prioridade. E é, principalmente, proteger os interesses de um governo que já não governa — apenas assiste.
É hora de abandonar os eufemismos. Quando se adia o debate, adia-se também a verdade. E quando se recua diante da crise, não se está em posição de neutralidade, mas de cumplicidade.
Por isso, se a intenção é seguir postergando, que ao menos se tenha a franqueza de dizer: não se quer mais combater o desgoverno — quer-se apenas acompanhá-lo em silêncio.
E há ainda um capítulo vergonhoso nessa história: a conduta do advogado contratado pelos sindicalizados. Em vez de ser instrumento de luta, tornou-se entrave, já que possui notório conflito pessoal — sendo inimigo figadal do vice-prefeito, conforme informações amplamente conhecidas. Sua atuação, longe de proteger os trabalhadores, sabota-os. Não defende, desmobiliza. Não orienta, confunde. Não enfrenta — negocia nos bastidores com quem destrói direitos. Um advogado que se presta a esse papel não representa a categoria — é agente da rendição, travestido de consultor jurídico. E pior: cobra vultosos honorários pagos pelo sindicato para manter os trabalhadores de joelhos, sem entregar qualquer efetiva defesa.
Aguardem, portanto, pela nova data… com calma, com paciência e — claro — com o governo “dito”. Porque, ao que tudo indica, tudo agora gira em torno dele. E o resto? Que espere sentado, sem qualquer aparente nova data.





























































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