Enquanto a saúde pública vive um colapso silencioso, a Prefeitura de Muniz Freire celebra mais uma leva de prêmios por “trabalhos” que fariam corar até roteirista de novela mexicana. Com pompa, pose e PowerPoint, a gestão vende à plateia iludida a ideia de uma cidade que funciona. Pena que só funciona na ficção.
Tem projeto com engrenagens — sim, engrenagens! — que prometem regular o atendimento com a precisão de um relógio suíço. Mal sabem que, no mundo real, o povo ainda tá tentando marcar uma simples ultrassonografia desde o governo passado.
Tem o “Projeto Pimpolho Amizade”, que mais parece nome de banda infantil dos anos 90. Fala em cuidar da saúde bucal desde a barriga da mãe. Mas basta visitar a UBS de Assunção para descobrir que a única coisa realmente preventiva por lá é o cidadão evitar ficar doente — porque atendimento, que é bom, nem pensar.
O “Emulti Obesidade” é praticamente uma startup do SUS: psicólogo, nutricionista, farmacêutico, fisioterapeuta, educador físico, assistente social… só esqueceram de incluir o mágico e o ilusionista, que seriam os únicos capazes de fazer essa equipe inteira aparecer no mesmo lugar, ao mesmo tempo, em Muniz Freire.
E claro, o auge da criatividade: “Ampliando o cuidado em saúde mental na APS”. Psicólogo em todas as UBSs! É isso mesmo, caro leitor: TODAS. Aparentemente, estamos vivendo em Oslo, e ninguém nos avisou. Só que, por aqui, quem precisa de atendimento psicológico ouve a mesma resposta: “volte mês que vem, se tiver vaga”.
No fundo, esses projetos não passam de produção artística: roteiros, personagens, narrativas e até figurino. Tudo perfeitamente ensaiado para enganar plateias desatentas e jurados bem-intencionados. A única coisa que falta é avisar à população que estão vivendo dentro de um teatro, daqueles com cenário de papelão e efeitos especiais de quinta categoria.
Enquanto os gestores colecionam certificados de mentira e enfeitam suas estantes com prêmios de faz-de-conta, o povo segue colecionando guias não atendidas, exames não realizados e frustrações diárias. Mas não se preocupe — quando faltar Dipirona, talvez imprimam um troféu e mandem a população engolir.
Muniz Freire não precisa de medalhas de ilusão. Precisa de vergonha na cara, atendimento de verdade e gestores que parem de brincar de SimCity com a vida dos outros.





























































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